Invisível real

Tom Lisboa

O Grande Circo Místico: fotografia, dança ou filme? Tom Lisboa “A vida dos outros, tal como nos chega na chamada realidade, não é cinema mas sim fotografia, ou seja, não podemos apreender a ação, mas apenas seus fragmentos eleaticamente recortados. (…) dar coerência à série de fotos para que se tornassem cinema significava rechear com literatura, presunções, hipóteses e invenções os intervalos entre uma e outra foto”. Neste trecho de O Jogo da Amarelinha, Morelli, um dos personagens criados por Julio Cortázar, afirmava que um livro deveria ser escrito como os desenhos que seguem as leis da Gestalt, ou seja, os traços apenas guiariam o observador a construir imaginativamente determinada figura e, “por vezes, os traços ausentes eram os mais importantes, os que realmente contavam”. De certo modo, (In)visível Real sintetiza estas mesmas questões de visibilidade e invisibilidade. Hoje, o que resta dos movimentos coreográficos de Luis Arrieta e Dani Lima, da sonoridade das canções de Chico Buarque e Edu Lobo e da plasticidade dos cenários e figurinos de Rosa Magalhães em O Grande Circo Místico são estes pequenos contornos que chamamos de fotografia e que são incapazes de traduzir integralmente este espetáculo. Talvez, por isso, nunca tive a ambição de chamar este livro de documentário. Se algum termo precisar ser usado que seja inventário, que deixa de lado conceitos frágeis como a verdade, e traz à tona uma carga de afetividade e doação que me parecem mais apropriados. Por fim, meu processo de selecionar e editar as fotografias deste balé foi cinematograficamente cortaziano. Ao final, quando coloquei em ordem cronológica o desenrolar do espetáculo e folheei sequencialmente suas folhas, uma série de lembranças, rostos e sensações iam ligando uma imagem à outra e compondo um filme muito particular. Para mim, nada aqui é estático. Tudo dança.

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